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Estudantes quilombolas e indígenas temem cortes de bolsas

  • 30 de jan.
  • 2 min de leitura

Estudantes quilombolas e indígenas que ingressaram nas universidades federais de todo o Brasil neste ano de 2018 aguardam a abertura das inscrições do Programa Bolsa Permanência (PBP) do governo federal.


O auxílio financeiro mensal é pago pelo Ministério da Educação (MEC) e a bolsa equivale ao valor de R$ 900,00, por se tratar de uma reparação social amparada pela Constituição Federal. O recurso é utilizado pelos alunos para custear gastos com alimentação, moradia e transporte, além de ser, em muitos casos, a única forma de garantir a permanência desses estudantes nas universidades.


Como justificativa para a suspensão dos novos auxílios, o MEC alegou ter atingido o teto máximo de seu orçamento. Em uma última reunião realizada em Brasília, o ministro da Educação, Rossieli Soares da Silva, propôs a abertura de apenas 800 vagas. Preocupados com a permanência na universidade, estudantes quilombolas e indígenas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) estão se mobilizando para lutar por seus direitos.


A estudante Hamangaí Marcos Melo Pataxó, do povo Pataxó Hã Hã Hãe, cursando o terceiro semestre de Medicina Veterinária, ressalta a importância da articulação estudantil diante da situação. “É necessária a união e a articulação de nós, estudantes indígenas e quilombolas da UFRB. Tivemos um primeiro momento de discussão com representantes indígenas e quilombolas, debatendo e dialogando sobre a nossa real situação”. Hamangaí afirmou ainda que os estudantes solicitaram apoio do reitor da UFRB, Sílvio Soglia, e relatou que a universidade está disposta a dialogar com os alunos.


A permanência nesse espaço de conhecimento que é a universidade está ameaçada com os cortes dessas bolsas. “Não é fácil um indígena chegar à universidade e muito menos permanecer nesse espaço, que acaba sendo um espaço de disputa de poder”, afirma a estudante, e completa: “Recentemente, um estudante de Engenharia Florestal desistiu do curso”.


O estudante de Jornalismo Jelson Júnior, quilombola de São Francisco do Paraguaçu, no município de Cachoeira, atualmente recebe o benefício, mas afirma sentir receio diante dos cortes: “Todos os meus colegas estão recebendo, mas tememos a todo momento que esse corte venha a acontecer”.


Já a estudante de Cinema e Audiovisual Ivanessa Moreira, quilombola da Vila Guaxinim, em Cruz das Almas, afirma estar buscando formas de enfrentar a situação: “Estamos com uma petição pública em busca de assinaturas. Continuaremos nos reunindo para conseguir novas estratégias”, conclui a estudante.


A matéria “Estudantes quilombolas e indígenas temem cortes de bolsas” foi publicada originalmente no site Reverso Online, jornal laboratório da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), em 28 de junho de 2018. https://www2.ufrb.edu.br/reverso/estudantes-quilombolas-e-indigenas-temem-cortes-de-bolsas/

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